Atendente que passou fome na infância paga R$ 600 em compras para mãe sem dinheiro e emociona cliente no Canadá

Uma ida ao supermercado terminou em lágrimas para Gina Coleman, mãe que vive com a filha pequena em um abrigo no Canadá.

Ao tentar pagar aproximadamente 150 dólares canadenses em alimentos, valor apresentado como equivalente a cerca de R$ 600, ela descobriu que os cartões de vale-compras recebidos não eram aceitos naquela loja.

Sem dinheiro para concluir a compra, Gina ficou sem saber o que fazer.

A atendente Ada Everingham percebeu a dificuldade e decidiu usar o próprio cartão de débito para quitar a conta.

O episódio aconteceu em uma unidade da rede Longo’s, em East Gwillimbury, na província de Ontário.

Os cartões não foram aceitos no caixa

Gina havia recebido cartões destinados à compra de alimentos enquanto estava acolhida com a filha na organização Yellow Brick House.

Ela escolheu os produtos de que precisava, mas descobriu apenas no momento do pagamento que os vales não poderiam ser utilizados naquele estabelecimento.

A situação provocou constrangimento e preocupação.

Sem outro meio de pagamento, a mãe corria o risco de deixar os alimentos para trás.

Foi então que Ada se ofereceu para pagar a compra com recursos próprios, sem pedir qualquer reembolso.

supermercado

Ida ao supermercado terminou em lágrimas (Reprodução/Canva)

A atendente conhecia aquela dificuldade

A decisão de Ada teve relação com sua infância.

Quando era criança, ela e a mãe também enfrentaram dificuldades para conseguir comida e precisaram recorrer a cartões de auxílio para comprar alimentos.

Ao ver Gina diante de uma situação semelhante, lembrou do que a própria família havia vivido.

A funcionária explicou que gostaria que alguém tivesse ajudado sua mãe naquela época. A reação emocionada de Gina também a fez chorar.

Depois do episódio, a cliente entrou em contato com o atendimento do supermercado para contar o que havia acontecido e agradecer pela generosidade.

Uma nova moradia está no horizonte

Além da surpresa no supermercado, Gina e a filha receberam outra notícia importante: foram contempladas por um programa de habitação transitória.

A mudança para uma casa na cidade de Belleville, também em Ontário, estava prevista para 16 de novembro.

A mãe relatou que a menina finalmente teria uma cama própria, depois de um período em que as duas precisavam dormir juntas.

A nova moradia representa uma etapa de reorganização da vida familiar, embora não elimine automaticamente todos os desafios financeiros que enfrentaram.

Um gesto que marcou as duas mulheres

O valor pago por Ada foi decisivo naquele dia porque permitiu que Gina levasse os alimentos escolhidos.

A história ganhou repercussão depois que a cliente relatou a atitude da funcionária à imprensa local, destacando o respeito com que foi tratada.

A ajuda não resolveu sozinha a situação de vulnerabilidade da família.

Ainda assim, evitou que mãe e filha saíssem do supermercado sem comida e mostrou como uma experiência difícil do passado pode influenciar uma decisão solidária no presente.

Maria Clara Jordão
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Maria Clara Jordão