Idosa perde a casa em terremoto, ergue novo lar com garrafas PET em 3 meses e transforma construção em atração em El Salvador

María Ponce perdeu a casa em terremotos em El Salvador e ergueu em três meses uma nova moradia feita com garrafas plásticas descartadas.

Depois de perder a casa nos terremotos que atingiram El Salvador em 2001, María Ponce encontrou uma saída incomum para voltar a ter um lar.

A mulher reuniu garrafas plásticas descartadas e construiu uma pequena residência com as próprias mãos.

Segundo relato dado por ela à AFP, a etapa de construção levou cerca de três meses.

A história ganhou destaque em 2008, quando María tinha 78 anos.

Naquela época, a chamada “casita encantada” já chamava a atenção de motoristas e visitantes em El Borbollón, no departamento de San Miguel, a cerca de 125 quilômetros de San Salvador.

María transformou garrafas descartadas em paredes e teto

A casa tinha aproximadamente dez metros quadrados e usava pequenas garrafas plásticas como principal elemento das paredes.

Para mantê-las no lugar, María as encaixou em varas finas de bambu enterradas no chão.

O teto também recebeu garrafas e uma cobertura de zinco para reduzir a entrada de água da chuva.

Até o piso recebeu reaproveitamento. Tampas plásticas e metálicas foram usadas na decoração e pintadas manualmente.

María contou à AFP que levou cerca de um mês e meio apenas para conseguir os materiais necessários antes de iniciar a obra.

A construção nasceu depois dos terremotos de 2001

A antiga casa de María tinha paredes feitas de barro e terra e foi perdida após os dois grandes terremotos que abalaram El Salvador no início de 2001.

Sem dinheiro suficiente para erguer uma residência convencional, ela recorreu aos materiais que conseguia encontrar.

Segundo seu relato, o trabalho começava ao nascer do sol e seguia até a noite. Ela afirmou ter feito a construção sozinha.

Além da estrutura de garrafas, María produziu enfeites de barro e detalhes de flores em cimento para decorar o pequeno espaço.

A “casita encantada” passou a receber visitantes

O resultado ultrapassou a função de abrigo. Como a casa ficava próxima à movimentada rodovia El Litoral, pessoas começaram a parar para conhecê-la.

María recebia os visitantes e mostrava o interior do imóvel, onde mantinha poucos móveis e uma rede para dormir.

Alguns visitantes deixavam pequenas quantias para ajudar na manutenção.

Assim, uma solução criada diante da falta de recursos acabou se transformando em atração local e em um exemplo de reaproveitamento de materiais muito antes de construções com garrafas PET ganharem espaço nas redes sociais.

A história de María não apaga a vulnerabilidade que veio depois do terremoto. Ainda assim, registra como criatividade, trabalho manual e materiais descartados ajudaram uma moradora a reconstruir um espaço próprio e dar nova função ao que encontrava pelo caminho.

Maria Clara Jordão
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Maria Clara Jordão