YouTuber ensina escrita tradicional Tulu e facilita aprendizado de um idioma regional da Índia

Nishant Ratnakar usa o YouTube para ensinar a escrita Tulu-Tigalari e prepara novas aulas para aproximar iniciantes do idioma regional indiano.

O fotógrafo e pesquisador Nishant Ratnakar transformou o YouTube em uma sala de aula para quem quer aprender a escrever Tulu, língua falada no sudoeste da Índia.

Pelo canal Solmelu Studios, ele ensina o sistema Tulu-Tigalari, ligado à tradição escrita preservada em inscrições de templos e manuscritos em folhas de palmeira.

A proposta ganhou força justamente porque muitos falantes conhecem o idioma oralmente, porém não dominam sua escrita histórica.

Ratnakar começou com vídeos curtos e depois passou a oferecer aulas ao vivo, abertas também a pessoas que não falam Tulu.

Vídeos curtos viraram aulas ao vivo aos domingos

Nos primeiros conteúdos, Ratnakar escolhia uma palavra por vez. Podia ser o nome de um lugar, de uma comunidade ou de um elemento cultural.

A partir dela, contava uma pequena história e mostrava como o termo era escrito, tentando aproximar o público das formas curvas do alfabeto.

O formato evoluiu para encontros ao vivo nas manhãs de domingo. As aulas passaram a receber participantes de diferentes países, incluindo falantes e não falantes de Tulu.

Para ampliar o acesso, o pesquisador usa o inglês como língua de instrução e recorre ao International Alphabet for Sanskrit Transliteration, o IAST, como apoio à leitura romanizada.

A escrita Tulu-Tigalari também entrou no universo digital

O Tulu-Tigalari foi incluído no padrão Unicode 16.0, lançado em 2024.

Isso permite que seus caracteres sejam representados digitalmente de forma padronizada, um passo importante para digitação, preservação e desenvolvimento de ferramentas eletrônicas.

O próprio Unicode descreve o Tulu-Tigalari como um sistema histórico do sudoeste da Índia, usado desde pelo menos o século XIII.

Tulu

Nishant Ratnakar transformou o YouTube em uma sala de aula para quem quer aprender a escrever Tulu (Imagem: Reprodução/Youtube)

A escrita foi empregada principalmente em textos religiosos em sânscrito, além de registros em Tulu e Kannada.

Ratnakar defende que o ensino preserve a ortografia histórica, em vez de simplificá-la excessivamente.

Segundo ele, alunos do Solmelu Studios conseguiram aprender o sistema tradicional e passaram a usá-lo para escrever e ler materiais antigos.

Próxima etapa vai incluir Tulu falado para iniciantes

Depois de concluir uma série de quatro meses de aulas ao vivo, Ratnakar prepara lições gravadas voltadas ao Tulu conversacional.

A ideia é apresentar palavras em inglês, comparar estruturas com outros idiomas e combinar o aprendizado oral com a escrita Tulu e o IAST.

Ele também coordena a equipe de Linguística e Pesquisa da Tulu Cultural Research Foundation.

A instituição planeja publicar em outubro o livro Tuluvarnamrta, de Prahlad Tantry, pensado como uma introdução à escrita.

Para o pesquisador, os sinais de retomada já aparecem entre os próprios alunos: participantes passaram a escrever versos, procurar poemas antigos e compartilhar os resultados nas redes sociais. A tecnologia, nesse caso, não substitui a tradição.

Ela ajuda uma escrita histórica a chegar a novos leitores, inclusive a quem vive longe da região onde o Tulu nasceu e continua sendo falado.

 

Maria Clara Jordão
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Maria Clara Jordão