Cientistas testam pílula masculina que pode agir em 30 minutos, mas uso ainda é experimental

Pílula anticoncepcional masculina de ação rápida está em pesquisa nos EUA, mas não foi aprovada e ainda não teve eficácia comprovada em humanos.

Pesquisadores da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, trabalham em uma pílula anticoncepcional masculina de ação rápida.

A proposta é que o composto comece a agir cerca de 30 minutos depois da administração e tenha efeito temporário por algumas horas.

Os resultados divulgados até agora, porém, vêm de experimentos pré-clínicos, e não de testes que comprovem eficácia em homens.

O projeto recebeu financiamento para aperfeiçoar a formulação e preparar avaliações adicionais.

Apesar do interesse gerado pela possibilidade de um método de uso pontual, o medicamento continua experimental e não está disponível para compra ou recomendação médica.

O que a substância tenta bloquear

O alvo da pesquisa é uma enzima chamada adenilil ciclase solúvel, conhecida pela sigla sAC.

Ela participa dos mecanismos que permitem aos espermatozoides se movimentar.

Ao bloquear temporariamente essa atividade, os cientistas procuram reduzir a capacidade das células de alcançar o óvulo.

A estratégia é diferente dos anticoncepcionais hormonais, que podem interferir na produção de espermatozoides.

A intenção é obter um efeito reversível após algumas horas, sem alteração permanente da fertilidade.

Essa característica, no entanto, ainda precisa ser demonstrada com segurança em estudos clínicos.

O que os testes ainda não mostram

Experimentos com animais ajudam a avaliar mecanismos biológicos e identificar sinais iniciais de segurança.

Eles não permitem concluir que o composto terá o mesmo comportamento no organismo humano.

pílula anticoncepcional masculina

Pílula anticoncepcional masculina (Imagem: Reprodução/Canva)

Também não demonstram qual seria a dose ideal ou a taxa de prevenção de gravidez em situações reais.

As próximas etapas incluem análises toxicológicas e preparação de estudos clínicos.

Uma pesquisa inicial em humanos costuma priorizar segurança e tolerabilidade.

Somente investigações posteriores poderão medir adequadamente a eficácia contraceptiva.

Não é um método disponível

Atualmente, a camisinha e a vasectomia continuam entre as opções mais conhecidas de contracepção masculina.

Uma pílula de ação temporária poderia ampliar as escolhas de planejamento familiar se, no futuro, passar pelas exigências científicas e regulatórias.

Até lá, a divulgação da pesquisa deve ser acompanhada de cautela.

Mesmo que um anticoncepcional oral masculino seja aprovado algum dia, ele não substituirá o preservativo na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.

A promessa de agir em 30 minutos ainda não é uma orientação de uso para o público.

Há várias linhas de pesquisa sobre contracepção masculina, incluindo substâncias hormonais e não hormonais.

Cada uma enfrenta desafios próprios relacionados à eficácia, reversibilidade, efeitos adversos e adesão dos usuários.

Para que um medicamento chegue às farmácias, precisa passar por estudos clínicos bem controlados e avaliação das autoridades sanitárias.

Por isso, o tempo de ação observado em laboratório não pode ser usado como promessa de proteção imediata.

Pessoas que desejam evitar uma gravidez devem continuar utilizando métodos reconhecidos e procurar orientação de profissionais de saúde.

Maria Clara Jordão
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Maria Clara Jordão